Passada uma semana do segundo turno das eleições brasileiras um sentimento muito estranho tomou conta dos eleitores da oposição, um sentimento de injustiça, um sentimento de falta de confiança nas instituições brasileiras e um sentimento de perda de esperança, é simbólico esse artigo ser publicado no dia de finados, as pessoas de bem estão em luto pelo Brasil.
Afinal de contas a “virada” de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) foi tudo menos normal, nunca houve uma virada na história, nunca o Datafolha errou uma pesquisa da véspera do segundo turno, nunca houve uma milícia digital andando solta comandada por alguém que deveria estar preso por agressão contra a ex-mulher, nunca a abstenção caiu tanto e nunca caiu tanto em uma região específica do país… e principalmente, nunca houve uma prorrogação da votação via interferência judicial de um ministro do STF que era advogado particular do atual presidente… São muitas e várias coincidências que curiosamente beneficiam apenas um nome na história política brasileira.
Mas o objetivo desse artigo é outro, o objetivo desse artigo é explorar a única maneira de pacificar o país, o tecido social brasileiro está totalmente rachado e rompido, amizades de décadas terminaram, famílias romperam, relacionamentos profissionais e sociais estão ruindo, o eixo valorativo da sociedade inclui agora a preferência eleitoral, e apesar de individualmente isso ser extremamente positivo como apontado por Santo Tomás de Aquino “Amigo é aquele que ama as mesmas coisas e rejeita as mesmas coisas”, para a nação essa conduta emperra o progresso do país, a cooperação é a base do desenvolvimento econômico já apontava a ortodoxia liberal com Locke e Smith.
Porém para haver cooperação deve existir algum grau de unidade e essa unidade que já não era tão forte assim foi rompida pelas ações do PT, o PT passou anos e mais anos fomentando o ódio e a divisão social, anos e mais anos zombando da fé, anos e mais anos zombando do capitalismo. O ajuste de contas chegou. Lula “ganhou” mas não vai levar.
Nessa mesma semana acompanhamos uma massiva campanha de boicote contra os petistas, aparentemente a direita caiu em si que estava ajudando os que em todo ciclo eleitoral votam para prejudicar a própria direita, e não adianta as reclamações do ministro do trabalho Luís Marinho, o gênio já saiu da lâmpada e a dor, especialmente no bolso é a melhor professora.
A dor é a melhor professora porque ficou tão claro a incapacidade cognitiva da maior parte da população que não adianta mais tentar ilustrar teoricamente ou analiticamente, é preciso esperar que a dor da inflação acabe com as ilusões idealistas de que existe almoço grátis. Schumpeter sempre esteve certo. A categoria analítica chamada de “povo” sempre toma as piores decisões.
Dessa forma, o cidadão comum desce a um nível inferior de desempenho mental tão logo entre no campo político. Ele argumenta e analisa de uma maneira que nós prontamente reconheceríamos como infantil dentro da esfera de seus reais interesses. Ele torna-se novamente um primitivo. (SCHUMPETER, 1961, p 262)
O cenário econômico brasileiro contém desafios econômicos de uma magnitude talvez até maior que as que Michel Temer teve que enfrentar após o Impeachment de Dilma Rousseff. As contas públicas estão em um momento crítico e Lula, uma semana após sua “vitória” já está emparedado pelos bancos e pelo mercado financeiro. A ala mais fanática do PT tenta disfarçar. Guilherme Boulos disse que o ajuste fiscal foi derrotado… Mas o discurso não se coaduna com a realidade.
O recado para Lula é claro: Ou ele terá que adotar várias medidas de austeridade fiscal que são necessárias para o Estado brasileiro ou ele terá o mesmo destino de Dilma Rousseff. Será que Lula ciente de que não terá a opção de se reeleger mais, não teria o incentivo de evitar uma aposentadoria vexatória com um impeachment ou um país totalmente quebrado? Lula é egocêntrico e narcisista demais para não sair “por cima”
Ainda na economia, uma nova reforma da previdência não é mais questão de se, mas de quando, a pirâmide demográfica se inverteu, o país está envelhecendo e não está enriquecendo, um cenário que já era muito observável nas eleições de 2014.
A Dívida Pública representa atualmente quase 82% do PIB, com previsão de chegar em 88% do PIB até 2029… O maior valor nos últimos cinco anos. O que o governo vem gastando para a rolagem dessa dívida já passou 1 trilhão de reais, o que representa 10% do PIB. Além disso, a única coisa que impede o Brasil de entrar em uma espiral inflacionária com potencial destruidor é o elevado nível da Taxa Selic que controla a inflação, porém reduz os investimentos, e freia o crescimento do país.
Esse cenário Macroeconômico já seria de dificílima solução caso o presidente tivesse o controle sobre as casas legislativas, Lula não terá, a onda bolsonarista no primeiro turno das eleições de 2026 deu ao PL a maior bancada da câmara e a maior bancada do senado, somado aos partidos de centro-direita nada acontecerá no congresso sem a benção da oposição. São 275 de 513 deputados na oposição, e 43 de 81 senadores na oposição.
A reforma política conduzida pelo então presidente da câmara e senador eleito Arthur Lira (PP-Alagoas) deu uma autonomia de ação para o parlamento, reduzindo a capacidade do presidente de comprar votos no congresso com emendas, porque as emendas já são obrigatórias para os parlamentares, na prática, ao menos em nível orçamentário, o presidente da república virou um prefeito que faz viagens internacionais, o peso da sua caneta cada vez vale menos.
Para usar o linguajar técnico da Ciência Política, o custo de ser oposição reduziu muito, o presidencialismo de coalizão de FHC não corresponde mais a realidade pós-2021. Isso terá um efeito prático o governo cada vez mais irá judicializar suas derrotas para o STF, que caso continue a agir como segunda instância legislativa de Lula irá produzir ainda mais tensão com o congresso, um congresso dominado por duas forças: Pelos conservadores unidos e motivados por vingança pela “derrota” de Flávio e pelo Centrão que não quer ver os ministros do STF colocando as patas nas emendas parlamentares, é a receita para uma crise profunda entre os poderes, o que prejudicará o governo.
Cabe ao PL jogar no congresso com todas as suas armas para transformar a vida de Lula em um verdadeiro inferno, que aliás é o que espera Lula daqui alguns anos, a cartilha usada pelo PSDB após a reeleição de Dilma Rousseff está apenas esperando para ser aplicada, pautas bombas, derrubar todas as MPs, vetar os projetos de lei, derrubar os vetos presidenciais… basicamente paralisar o país inteiro até Lula cair.
Por fim mais um fator deve ser analisado. Em 2022 Lula teve uma vantagem institucional, a atabalhoada invasão da praça dos três poderes em janeiro de 2023 assustou até mesmo setores da oposição, da imprensa e do mercado, aquilo deu a Lula um crédito, o que chamamos na Ciência Política de “Lua de Mel” com o eleitorado, em 2026 isso não irá ocorrer, Lula começará o mandato pressionado pelos bancos, pelo mercado, e pela oposição muito mais organizada e institucionalizada do que quatro anos atrás.
O Impeachment de Lula já começou e é a única maneira de pacificar o país.
Referências Bibliográficas
LOCKE, John. Segundo tratado sobre o governo civil [e outros escritos]. São Paulo: Abril Cultural, 1978.
SCHUMPETER, Joseph Alois. Capitalismo, socialismo e democracia. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1961.
SMITH, Adam. A riqueza das nações: investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações. São Paulo: Nova Cultural, 1996. 2 v.
TOMÁS DE AQUINO, Santo. Suma teológica. São Paulo: Loyola, 2001-2006.


