By using this site, you agree to the Privacy Policy and Terms of Use.
Aceitar
  • Página Inicial
  • SAC
  • Quem somos
  • Fale Conosco
  • Denuncie
  • Fale com o colunista
  • Parceiros
Entrar na área de membros
Hermenêutica Política
  • Menu
    • Revista HP
    • Publicações
      • Política Nacional
      • Política Internacional
      • Sociologia
      • Ciência Política
      • Economia
      • Entretenimento
      • Filosofia Política
    • Vídeos e entrevistas
    • Indicações
Leitura: A racionalidade estratégica por trás do acordo Trump-Irã de 2026: Hezbollah, delegação da violência e a ilusão da estabilização regional
Pesquisar
Hermenêutica PolíticaHermenêutica Política
Redimensionador de fontesAa
Search
  • Home
  • Política Internacional
  • Política Nacional
  • Sociologia
  • Ciência Política
  • Economia
  • Entretenimento
  • Filosofia Política
  • Vídeos e entrevistas
  • Indicações
  • SAC
  • Denuncie
  • Fale Conosco
  • Fale com o colunista
  • Parceiros
Já possui uma conta? Entrar
Siga-nos
© Foxiz News Network. Ruby Design Company. All Rights Reserved.
Início » Colunas » A racionalidade estratégica por trás do acordo Trump-Irã de 2026: Hezbollah, delegação da violência e a ilusão da estabilização regional
Política InternacionalUncategorized

A racionalidade estratégica por trás do acordo Trump-Irã de 2026: Hezbollah, delegação da violência e a ilusão da estabilização regional

Lucas Gualtieri
Última atualização: junho 22, 2026 8:49 am
Lucas Gualtieri 14 minutos de leitura
Compartilhar

Nos últimos dias, a política externa norte-americana voltou a produzir um debate recorrente. De um lado, críticos do presidente Donald Trump sustentam que sua postura diante do Irã revelou mais um episódio do fenômeno conhecido como “T.A.C.O.” (Trump Always Chickens Out; algo como “Trump sempre amarela”), expressão utilizada por analistas para descrever um padrão de ameaças maximalistas seguidas de recuos parciais. De outro, seus apoiadores argumentam que a combinação de pressão militar, demonstração de força e abertura para negociação representa precisamente a lógica descrita pelo próprio Trump em seu livro The Art of the Deal (Trump; Schwartz, 1987): elevar os custos do adversário para fortalecer sua posição à mesa de negociações.

O acordo recém firmado entre Estados Unidos e Irã em junho de 2026 parece inserir-se exatamente nessa controvérsia. Após semanas de escalada militar e de ataques norte-americanos contra instalações iranianas, Washington surpreendeu observadores ao aceitar um entendimento que, à primeira vista, parece oferecer a Teerã benefícios significativos sem impor contrapartidas equivalentes (NPR, 2026). A percepção de que a Casa Branca teria abandonado sua política anterior de pressão máxima foi reforçada pela adoção simultânea de uma postura mais crítica em relação às operações militares israelenses.

O Memorando de Entendimento estabelece compromissos relacionados à cessação das hostilidades, à proteção da navegação regional, ao respeito à soberania dos Estados envolvidos e à manutenção de canais diplomáticos voltados à redução de tensões futuras (NPR, 2026). Entretanto, o documento não prevê mecanismos específicos destinados ao controle ou monitoramento de organizações armadas não estatais associadas à estratégia regional iraniana. Essa omissão constitui o principal objeto de análise deste artigo.

A questão estratégica relevante, contudo, talvez seja outra. Independentemente de se considerar o acordo uma capitulação ou uma manobra calculada de gestão de crise, ele é capaz de enfrentar os mecanismos reais por meio dos quais o Irã projeta influência e poder no Oriente Médio?

Grande parte dos debates sobre segurança internacional continua estruturada em torno da interação entre Estados. Entretanto, os conflitos contemporâneos raramente são conduzidos exclusivamente por governos e exércitos regulares. Em diversas regiões do mundo, atores armados não estatais desempenham papel decisivo na produção e manutenção da violência política.

A literatura especializada costuma descrever esse fenômeno por meio do conceito de guerra por procuração (proxy warfare). Segundo Andrew Mumford (2013), trata-se do envolvimento indireto de terceiros em um conflito com o objetivo de influenciar seu resultado estratégico sem assumir diretamente os custos políticos e militares da confrontação aberta. Essa modalidade de conflito tornou-se particularmente relevante no Oriente Médio, onde Estados frequentemente projetam poder por meio de organizações armadas parceiras.

Entre as diferentes abordagens teóricas sobre o tema, Tyrone Groh (2019) observa que a guerra por procuração normalmente envolve uma relação principal-agente, na qual um Estado patrocinador transfere parte da execução de seus objetivos estratégicos a um ator local politicamente motivado. Essa estrutura oferece vantagens importantes ao patrocinador, permitindo ampliar sua influência sem assumir integralmente os riscos da ação direta. Em contrapartida, cria dificuldades de supervisão e controle, uma vez que o agente frequentemente desenvolve interesses próprios e graus variados de autonomia.

É nesse contexto que o Hezbollah assume relevância central.

Frequentemente descrito como um simples aliado de Teerã, o Hezbollah ocupa posição singular dentro da arquitetura regional construída pela República Islâmica. Sua importância decorre não apenas de sua capacidade militar, mas também de sua profunda inserção social, política e institucional no Líbano. Ao longo de décadas, o movimento desenvolveu uma combinação rara de partido político, organização social, força paramilitar e ator regional.

Essa característica torna sua relação com o Irã mais complexa do que uma simples cadeia de comando militar. Ainda assim, mesmo autores que enfatizam a autonomia política do Hezbollah reconhecem a profundidade de sua integração estratégica com Teerã nas operações externas e na projeção regional de poder. O Hezbollah não constitui apenas um aliado circunstancial do Irã; ele representa um dos principais instrumentos por meio dos quais a República Islâmica exerce influência indireta na região e no exterior, funcionando não apenas como elemento de dissuasão contra Israel, mas também como vetor de projeção extraterritorial de poder por meio de operações clandestinas, ações de inteligência e atentados contra adversários considerados hostis aos interesses estratégicos de Teerã.

Essa observação é fundamental para compreender os limites do acordo firmado entre Washington e Teerã.

Um entendimento diplomático pode alterar os incentivos estratégicos do governo iraniano. Pode reduzir o risco de confrontação direta entre Estados Unidos e Irã. Pode criar canais de comunicação úteis para a administração de crises futuras. Nada disso é irrelevante. O problema reside em presumir que a estabilização das relações interestatais seja suficiente para produzir estabilidade regional.

A teoria principal-agente demonstra que a delegação de funções estratégicas amplia a capacidade de atuação do patrocinador, mas reduz seu controle sobre a execução dessas funções. Ao transferir parte da projeção de poder para organizações parceiras, um Estado aumenta sua flexibilidade operacional. Em contrapartida, passa a depender de atores que possuem agendas próprias, dinâmicas internas específicas e incentivos nem sempre coincidentes com aqueles do patrocinador.

O Hezbollah ilustra precisamente esse dilema.

Ainda que Teerã possua capacidade significativa de influência sobre a organização, a dinâmica do conflito entre Hezbollah e Israel não depende exclusivamente das preferências do governo iraniano. O grupo desenvolveu interesses institucionais próprios, acumulou experiência operacional em diferentes teatros de guerra e consolidou uma estrutura político-militar que transcende conjunturas específicas das relações entre Washington e Teerã.

Essa realidade ajuda a explicar por que muitos observadores receberam com ceticismo um acordo que praticamente ignora o papel dos principais atores armados não estatais da região. O problema torna-se ainda mais relevante diante das análises que apontam para a rápida recomposição das capacidades militares do Hezbollah após os confrontos recentes, sugerindo que a organização continua preservando relevante capacidade de projeção operacional (Levitt, 2026).

O problema torna-se ainda mais evidente diante dos acontecimentos que sucederam o anúncio do entendimento. Poucos dias após a divulgação do acordo, ataques do Hezbollah contra forças israelenses no sul do Líbano provocaram baixas significativas entre militares da IDF (Times of Israel, 2026; Washington Post, 2026). A resposta israelense foi seguida por acusações iranianas de violação do espírito do acordo e por novas tensões envolvendo o Estreito de Ormuz (BBC News, 2026; Jerusalem Post, 2026). Independentemente da interpretação específica desses eventos, eles revelam uma fragilidade estrutural: a redução das tensões entre Washington e Teerã não elimina automaticamente os mecanismos indiretos de escalada que caracterizam os conflitos contemporâneos no Oriente Médio.

Arquilla e Ronfeldt (2001) observaram que muitos atores armados contemporâneos operam por meio de estruturas flexíveis e em rede, caracterizadas por elevada capacidade de adaptação e sobrevivência. Embora o Hezbollah não seja uma organização inteiramente horizontal, sua evolução ao longo das últimas décadas incorporou elementos que ampliam sua resiliência diante de pressões externas. Consequentemente, qualquer avaliação sobre os efeitos de um acordo com o Irã deve considerar não apenas o comportamento do governo iraniano, mas também a capacidade de adaptação dos atores que compõem sua rede de influência regional.

Isso não significa que o acordo seja necessariamente irracional. Uma interpretação plausível é que a administração Trump tenha concluído que uma campanha aérea, por si só, seria insuficiente para produzir mudança de regime em Teerã. A alternativa seria uma escalada muito mais profunda, potencialmente envolvendo operações terrestres (boots on the ground) e custos políticos difíceis de sustentar às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato. Sob essa perspectiva, o acordo não representaria uma capitulação, mas uma estratégia de congelamento temporário do conflito.

Uma interpretação complementar merece consideração. Diante dos limites demonstrados pela campanha aérea e dos elevados custos associados a uma eventual operação terrestre, o Memorando pode ter servido também para deslocar temporalmente a crise. Sob essa perspectiva, a administração Trump não estaria necessariamente abandonando seus objetivos estratégicos em relação ao Irã, mas apenas adiando uma nova fase de confrontação para um momento politicamente mais favorável. A proximidade das eleições legislativas de meio de mandato constitui um fator que não pode ser ignorado nessa análise. Embora inexistam elementos suficientes para afirmar que essa tenha sido a motivação determinante da Casa Branca, a hipótese de um congelamento temporário destinado a preservar capital político doméstico permanece compatível tanto com a lógica eleitoral norte-americana quanto com a imagem de negociador construída por Trump ao longo de sua trajetória pública (Trump; Schwartz, 1987; Yoo, 2010).

Entretanto, mesmo que essa interpretação esteja correta, ela não elimina a principal fragilidade do entendimento. O problema não é apenas o comportamento do Irã enquanto Estado. O problema é a persistência das estruturas de delegação da violência por meio das quais Teerã projeta poder regional.

A pergunta central, portanto, não é se Trump venceu uma negociação ou se recuou diante da pressão. Tampouco se resume à dicotomia entre T.A.C.O. e The Art of the Deal. A questão estratégica mais relevante é saber se um acordo bilateral pode produzir estabilidade duradoura quando os principais instrumentos de coerção regional permanecem operacionais fora de sua arquitetura de implementação.

A experiência histórica recomenda cautela. Acordos podem reduzir tensões entre governos. Podem evitar guerras. Podem criar oportunidades de cooperação limitada. Mas dificilmente eliminam, por si sós, estruturas de influência construídas ao longo de décadas.

Enquanto organizações como o Hezbollah permanecerem como componentes centrais da arquitetura regional iraniana, a estabilização produzida pelo acordo poderá revelar-se mais aparente do que real. Nesse sentido, a verdadeira fragilidade do entendimento não está necessariamente no que ele concede ao Irã, mas naquilo que deixa de enfrentar: os mecanismos indiretos pelos quais a República Islâmica continua projetando poder no Oriente Médio.

Referências

ARQUILLA, John; RONFELDT, David (orgs.). Networks and Netwars: The Future of Terror, Crime and Militancy. Santa Monica: RAND Corporation, 2001.

BBC NEWS. Iran Accuses Israel of Violating Ceasefire After Lebanon Strikes. London, 2026. Disponível em: https://www.bbc.com/news/articles/c23ymz1n9rmo. Acesso em 20 jun. 2026.

GROH, Tyrone L. Proxy War: The Least Bad Option. Stanford: Stanford University Press, 2019.

JERUSALEM POST. Israel Responds to Hezbollah Attack Amid Questions Over Iran Deal. Jerusalem, 2026. Disponível em: https://www.jpost.com/israel-news/article-899926. Acesso em 20 jun. 2026.

LEVITT, Matthew. Hezbollah Is Winning the Race to Rearm in Lebanon. The National Interest. Washington, D.C., 2026. Disponível em: https://nationalinterest.org/feature/hezbollah-is-winning-the-race-to-rearm-in-lebanon. Acesso em 20 jun. 2026.

MUMFORD, Andrew. Proxy Warfare. Cambridge: Polity Press, 2013.

NPR. US-Iran Memorandum of Understanding: Full Text. Washington, D.C., 18 jun. 2026. Disponível em: https://www.npr.org/2026/06/18/nx-s1-5863027/us-iran-trump-memorandum-of-understanding-full-text. Acesso em 20 jun. 2026.

TIMES OF ISRAEL. 4-Person IDF Tank Crew, Including Battalion Chief, Killed by Hezbollah in South Lebanon. Tel Aviv, 2026. Disponível em: https://www.timesofisrael.com/4-person-idf-tank-crew-including-battalion-chief-killed-by-hezbollah-in-south-lebanon/. Acesso em 20 jun. 2026.

TRUMP, Donald J.; SCHWARTZ, Tony. The Art of the Deal. New York: Random House, 1987.

WASHINGTON POST. Four Israeli Soldiers Killed as Lebanon Fighting Imperils US-Iran Deal. Washington, D.C., 19 jun. 2026. Disponível em: https://www.washingtonpost.com/world/2026/06/19/four-israeli-soldiers-killed-combat-lebanon-imperils-us-iran-deal/. Acesso em 20 jun. 2026.

YOO, John. Crisis and Command: A History of Executive Power from George Washington to George W. Bush. New York: Kaplan Publishing, 2010.

Compartilhe este artigo
Facebook Twitter E-mail Copiar link Imprimir
Por Lucas Gualtieri
Procurador da República desde 2013, com atuação no combate à criminalidade organizada, especialmente como coordenador do GAECO-MPF em Minas Gerais (2020–2024), conduzindo investigações estratégicas de alta complexidade. Foi membro auxiliar da Assessoria Jurídica Criminal da Procuradoria-Geral da República junto ao STJ (2020–2025). Atua como orientador pedagógico e professor da Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU). É autor de publicações nas áreas de direito penal, controle externo da atividade policial, proteção do patrimônio público e políticas de segurança. Atualmente, é mestrando em Relações Internacionais pela PUC Minas, com ênfase em Estratégia, Inteligência e Contraterrorismo.
Artigo anterior Henry Borel e o abismo entre o Direito e a Consciência Social
Próximo artigo E Se o melhor resultado para a direita for perder as eleições presidenciais?

Em alta

Nações Unidas em Xeque

Por Rodrigo Bueno

Cadastre-se

Inscreva-se gratuitamente em nossa página para receber atualizações, enviar comentários e participar dos nossos fóruns de discussão.
Clique aqui!

É preciso falar sobre narcisismo em ambientes sociais e políticos

4 anos atrás

Diplomacia brasileira em descompasso e o declínio da reputação do Itamaraty

1 ano atrás

You Might Also Like

Política Internacional

Trump x Irã : Dilema de Segurança

7 anos atrás
Política Internacional

A política externa de Biden, o legado de Richelieu e o erro dos analistas ideológicos

6 anos atrás
Política Internacional

O Renascimento de uma superpotência

2 anos atrás
Política Internacional

O Maior erro do ocidente com relação ao fundamentalismo Islâmico

5 anos atrás

Institucional

  • Cadastre-se
  • Quem somos
  • Políticas & Termos
  • Parceiros

Publicações

  • Ciência Política
  • Economia
  • Empreendedorismo
  • Entretenimento
  • Filosofia Jurídica
  • Filosofia Política
  • História Geral
  • Indicações
  • Periódicos
  • Política & Espiritualidade
  • Política Internacional
  • Política Nacional
  • Sociologia
  • Vídeos e entrevistas

Atendimento

  • SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente)
  • Fale Conosco
  • Denuncie
  • Fale com o colunista

© Hermenêutica Política – Todos os direitos reservados

Welcome Back!

Sign in to your account

Nome de usuário ou endereço de e-mail
Senha

Perdeu sua senha?