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Início » Colunas » O Massacre de Bondi Beach é mais um lembrete de que Huntington estava correto.
Política Internacional

O Massacre de Bondi Beach é mais um lembrete de que Huntington estava correto.

Rodrigo Bueno
Última atualização: janeiro 9, 2026 5:01 pm
Rodrigo Bueno 14 minutos de leitura
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O mundo amanheceu em luto na manhã do último domingo com um violento atentado terrorista no litoral da Austrália que vitimou 16 pessoas e deixou vários feridos, o atentado direcionado ao povo judeu que vivia no país da Oceania foi identificado como mais um ato da crescente onda de antissemitismo em todo mundo, porém observo um padrão mais amplo nesse ataque, não se trata apenas de uma perseguição aos judeus, mas um ódio aberto e explícito a tudo aquilo reconhecido como parte da civilização ocidental. Debates teológicos à parte, que não representam o intuito do artigo, é inegável que Israel faz parte do bloco geopolítico da civilização ocidental, e o seu povo paga o preço disso.

Na Inglaterra, bairros inteiros de Londres já estão sob a lei da Sharia, segundo o jornal The Telegraph, existem já 85 tribunais islâmicos na Inglaterra gerando basicamente um Estado paralelo, uma violação da soberania, da igualdade e da dignidade dos britânicos, na Europa continental a polícia alemã prendeu cinco adolescentes marroquinos com um planejamento para explodir o mercado de Natal de Munique. E a França constantemente é lembrada com incêndios em suas catedrais, ataques de lobos solitários em suas cidades, mortes de padres e o medo de outro ataque do nível daquele que ocorreu na casa de shows do Bataclan dez anos atrás.

O diagnóstico Conservador para isso é claro e objetivo, o cosmopolitismo foi longe demais. Existem sim pesquisas empíricas que demonstram que a exposição a culturas diferentes pode sim ampliar a criatividade e a inovação gerando impactos positivos até mesmo no mercado de trabalho e na economia, entretanto esses benefícios não superam o dano causado pela imigração em massa, a identidade das nações ocidentais está em jogo, até mesmo o novo documento de segurança nacional dos Estados Unidos (https://www.whitehouse.gov/wp-content/uploads/2025/12/2025-National-Security-) menciona claramente o risco de uma OTAN formada por países que podem se tornar de maioria muçulmana nos próximos 30 ou 40 anos. Uma Inglaterra ou uma França de maioria muçulmana não se comportarão de forma alguma como uma Inglaterra ou uma França que seja fiel ás suas características demográficas inglesas e francesas. O único político da União Europeia que parece ter entendido isso é o chanceler alemão Friedrich Merz, os responsáveis pelo documento da NSA americana sem dúvida leram e entenderam muito bem a obra de Huntington.

Samuel Huntington foi um dos principais autores do conservadorismo americano no século XX, seu trabalho se concentrou eminentemente nos campos da Filosofia Política, da Ciência Política e das Relações Internacionais. Durante a Guerra Fria ele foi um dos responsáveis por construir o consenso que guiou ás ações de política externa tanto de republicanos quanto de democratas, seu influente artigo de 1957 Conservatism as an Ideology foi um dos responsáveis pelo estabelecimento do chamado fusionismo liberal-conservador, nesse artigo Huntington demonstra que não eram apenas os conservadores que deveriam defender suas instituições da ameaça soviética mas também os liberais, resgatando um entendimento compartilhado tanto por conservadores do passado como Edmund Burke, como por liberais como David Hume e Adam Smith, o mercado só é capaz de florescer em uma sociedade cujas instituições são capazes de produzir uma ordem política estável.

Em um dos seus últimos trabalhos Who Are We? (2004) Huntington também previu o fenômeno da latinização dos Estados Unidos e os desafios que isso iria gerar para o que realmente significa ser americano. Entretanto a Magnum Opus dele seria a teoria do Choque de Civilizações. Quando Huntington publicou seu artigo em 1993 na revista Foreign Affairs e depois expandiu a teoria em um livro homônimo em 1996 houve uma sensação de choque, o mundo ainda estava inebriado com a sensação de que a vitória contra a URSS significava realmente “O Fim da História” como sustentado pelo autor Francis Fukuyama e por grande parte dos intelectuais americanos e europeus naquele período.

Entretanto Huntington observou além das aparências, e ele viu de maneira específica dentro da sua grande teoria três grandes ameaças surgindo, o crescimento da China, o sentimento de raiva muçulmana direcionada ao ocidente, e os problemas gerados pela imigração em massa e sem controle, hoje em 2025 podemos dizer que Huntington acertou nas três observações. A China já é a segunda maior potência do mundo, o 11/09 e a crise social sem precedentes que a Europa e os Estados Unidos em menor grau enfrentam o consagraram. Até mesmo o presidente russo Vladimir Putin já disse que a Guerra contra a Ucrânia se trata de uma batalha civilizacional e não uma simples batalha por território.

Huntington divide sua teoria em basicamente seis explicações do porque o Choque de Civilizações seria inevitável:

  1. Diferenças entre ás civilizações não são apenas reais, elas são fundamentais
  2. O Mundo está, figurativamente ficando menor
  3. O Progresso econômico enfraquece os vínculos nacionais
  4. A população está se tornando consciente das diferenças civilizacionais
  5. Diferenças culturais são menos mutáveis que diferenças políticas e econômicas
  6. Regionalismos Econômicos estão transbordando para regionalismos políticos

A primeira parte da teoria aponta algo que parece escapar da atenção da maioria dos intelectuais, civilizações são diferentes das outras pela “história, língua, cultura, tradição, e mais importante, religião (HUNTINGTON, 1993, p 25). Pessoas de diferentes civilizações possuem naturalmente visões diferentes sobre basicamente qualquer componente relevante para a manutenção da ordem social, seja a relação entre Deus e o homem, entre indivíduos e o grupo, o cidadão e o Estado… Assim como possuem diferentes visões e interpretações sobre direitos e responsabilidades, liberdade e autoridade, igualdade e hierarquia… E o problema é que essas diferenças são fruto de séculos de história, não são possíveis de serem contornadas ou apagadas em um curto período de tempo. Esse talvez tenha sido o erro que os Estados Unidos e o ocidente cometeram com a China, ao imaginar que pela economia ter se liberalizado automaticamente o próximo passo seria a adoção da democracia liberal ocidental, a China se modernizou mas não se ocidentalizou. Porque o Confucionismo é uma tradição oposta a tradição judaico-cristã.

O segundo ponto da teoria aponta para uma questão relacionada ao próprio sucesso do capitalismo, a economia da inovação de Schumpeter levou a um desenvolvimento tecnológico sem precedentes com smartphones e redes sociais, a interação entre as diferentes civilizações aumentou, e com isso o potencial conflitivo também, essas interações afetam até mesmo em nível subconsciente questões associadas ao pertencimento e as diferenças entre as civilizações, levando a um cenário propenso para que o conflito ocorra.

O terceiro ponto da teoria é mais complexo, devido ao sucesso econômico do processo da globalização progressivamente se torna mais simples mudar de país, essa mobilidade social e geográfica enfraqueceu o vínculo de pertencimento para com as Nações, a Nação para muitas pessoas já não é mais a forma primária de auto identificação, e como uma das únicas leis da política internacional diz, não existe algo como vácuo de poder na arena internacional, em várias partes do mundo a Religião começou a preencher esse vazio. De forma mais extrema com o fundamentalismo islâmico e de formas mais brandas com a ascensão de movimentos tradicionalistas na Igreja católica, os ultra-ortodoxos no judaísmo e talvez até mesmo o movimento neopentecostal no Brasil. Como o cientista político francês Gilles Kepel observou em sua obra “A Vingança de Deus” (1992), o mundo começou a passar por um processo de “insecularização” e o enfraquecimento das Nações leva a religião a se tornar o ponto número um para garantir identidade para as pessoas, e por lógica esse vínculo religioso ultrapassa fronteiras.

O quarto ponto da teoria de Huntington estabelece que o poder do ocidente é tão vasto e tão grande que desencadeia por si só movimentos anti-ocidentais, o controle do ocidente sobre todas as instâncias da Política Internacional (ONU, FMI, Banco Mundial) desperta inveja por parte das civilizações não ocidentais, até mesmo o recente conflito diplomático atual entre o Brasil e os Estados Unidos pode ser explicado através da lente de Huntington. O BRICS é uma das maiores expressões dessa inveja e tentativa das civilizações não ocidentais de buscar primazia.

O quinto ponto também é de extrema relevância, características culturais são bem menos mutáveis, ao menos no curto prazo do que características políticas e ideológicas. Muitos comunistas deixaram de ser quando apresentados aos benefícios do capitalismo, muitos socialistas se tornaram democratas com o fim da URSS. Esses conflitos eram muito mais situacionais, estavam relacionados a qual lado se escolheu na disputa, mas conflitos entre civilizações não funcionam dessa maneira, porque a pergunta não é mais objetiva e sim subjetiva, sobre quem é você? E em muitos casos uma resposta errada a essa pergunta leva a morte como vimos na Bósnia e no Sudão. Uma pessoa pode perfeitamente ter dupla nacionalidade, ser parte italiano e parte tunisiano por exemplo, mas essa pessoa não pode ser parte católica e parte muçulmana.

Por fim, talvez o ponto que Huntington talvez mais tenha se equivocado em sua análise que acertou quase todos os pontos no futuro, ele apontava que um aumento no regionalismo econômico levaria a um aumento do regionalismo político, entretanto isso só se mostrou parcialmente verídico, diferenças intra-civilizacionais ainda existem como as rivalidades entre Rússia e Ucrânia, China e Japão, e Coréia do Sul e Coréia do Norte nos demonstram. Mesmo a cultura compartilhada, nesse caso não se sobrepôs ás divergências Estatais.

A relevância da teoria de Huntington não deve ser menosprezada, pois sua abordagem realista cultural e funcionalista acertou grande parte das suas previsões. Estamos vivenciando um Choque de Civilizações claro e aberto. Contra inimigos que não desejam assimilação e sim dominação.

Basta olhar o discurso dos líderes muçulmanos que não é de se estranhar que a direita radical lidera ás eleições em inúmeros países europeus.

O suicídio progressista com relação à pauta imigratória atingiu um Breaking Point. Quando é a sobrevivência da Nação que está em jogo, valores abstratos como direitos humanos, democracia e estado de direito perdem nexo causal com a realidade, são questões de segurança nacional e civilizacional. A origem da Europa não foi pacífica, foi violenta, basta relembrarmos dos processos de unificação da Inglaterra, da Alemanha, da Guerra dos 30 anos, e mesmo das duas grandes guerras mundiais que foram geradas em solo europeu, o pacifismo europeu era induzido pelos Estados Unidos enquanto o mesmo tinha disposição para sustentar sozinho a civilização ocidental… O mundo mudou e agora os europeus notam que não têm muito tempo mais para salvar a sua civilização do colapso, os bárbaros não estão do lado de fora, eles já entraram.

Aproveito esse que teoricamente é meu último artigo de 2025 para desejar a todos os nossos leitores aqui do Hermenêutica um Feliz Natal, ao menos enquanto essa festa ainda pode ser celebrada…

Referências Bibliográficas

FUKUYAMA, Francis. O Fim da História e o Último Homem. Rio de Janeiro: Editora Rocco. 1992

HUNTINGTON, Samuel. Conservatism as an ideology. The American Political Science Review. Vol 51. Pp 454-473. 1957

HUNTINGTON, Samuel. The Clash of Civilizations?. Foreign Affairs. Vol 72. Pp 22-49. 1993

HUNTINGTON, Samuel. Who Are We? The Challenges to America´s National Identity. Nova Iorque. Simon & Schuster. 2004.

KEPEL, Gilles. A Vingança de Deus. Lisboa. Dom Quixote. 1992  

STRAUSS, Leo. The City and the Man. Chicago. Chicago University Press. 1978

MARCADO:conservadorismoHUNTINGTONimigração
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Por Rodrigo Bueno
Rodrigo Bueno é bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Brasileiro de Mercados e Capitais (IBMEC). Pós graduado em Inteligência e Contra Inteligência pela Associação Brasileira de Estudos de Inteligência e Contra Inteligência (ABEIC/CSABE). Mestrando em Política Internacional ( PUC Minas ).  Seu foco principal de estudos é a área da Política Internacional, Filosofia Política e Ciência Política. Colaborador ocasional do Instituto Mises Brasil. Publicou artigos pela Editora Dialética sobre o pensamento de Raymond Aron, Samuel Huntington e a História do Conservadorismo. Sócio-Fundador e Membro do corpo editorial do Grupo Hermenêutica Política desde 2020. Lattes: http://lattes.cnpq.br/3687844525565262
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