By using this site, you agree to the Privacy Policy and Terms of Use.
Aceitar
  • Página Inicial
  • SAC
  • Quem somos
  • Fale Conosco
  • Denuncie
  • Fale com o colunista
  • Parceiros
Entrar na área de membros
Hermenêutica Política
  • Menu
    • Revista HP
    • Publicações
      • Política Nacional
      • Política Internacional
      • Sociologia
      • Ciência Política
      • Economia
      • Entretenimento
      • Filosofia Política
    • Vídeos e entrevistas
    • Indicações
Leitura: O mercado educacional se tornou um problema político ?
Pesquisar
Hermenêutica PolíticaHermenêutica Política
Redimensionador de fontesAa
Search
  • Home
  • Política Internacional
  • Política Nacional
  • Sociologia
  • Ciência Política
  • Economia
  • Entretenimento
  • Filosofia Política
  • Vídeos e entrevistas
  • Indicações
  • SAC
  • Denuncie
  • Fale Conosco
  • Fale com o colunista
  • Parceiros
Já possui uma conta? Entrar
Siga-nos
© Foxiz News Network. Ruby Design Company. All Rights Reserved.
Início » Colunas » O mercado educacional se tornou um problema político ?
Ciência Política

O mercado educacional se tornou um problema político ?

Rodrigo Bueno
Última atualização: fevereiro 1, 2022 1:39 pm
Rodrigo Bueno 11 minutos de leitura
Compartilhar

Nos últimos anos poucos temas foram tão discutidos quanto a crescente polarização das sociedades no mundo ocidental, filósofos, sociólogos e cientistas políticos examinaram tal fato e chegaram a algumas possibilidades. A guinada identitarista da esquerda teria produzido uma guinada tradicionalista na direita? Uma espécie de cabo de guerra entre progressistas e conservadores estaria corroendo o tecido social e esvaziando as posições moderadas no espectro político?  Várias teorias surgiram através da observação da desintegração das sociedades ocidentais, esse artigo irá tratar de um assunto um pouco apagado e deixado de lado nesse grande debate do nosso tempo. Entretanto é algo que pode explicar muito bem o fenômeno.

Durante os anos 2000, não apenas no Brasil mas em todo o ocidente, vimos uma expansão inédita e nunca antes vista do número de jovens com diplomas universitários, o senso comum diz que isso seria uma coisa boa, mas como pudemos observar nos últimos anos na realidade tal fato foi algo negativo por um encadeamento de fatores relacionados a aceleração do fenômeno da globalização após o fim da guerra fria nos anos 90. Algumas perguntas interessantes podem ser extraídas disso, por exemplo: Porque só estamos percebendo esse efeito agora? São dois motivos primordiais, primeiro é o tempo que se leva para cursos universitários serem completados, meia década em média, segundo que leva um tempo até o mercado, de forma geral, não conseguir absorver tanta mão de obra.

Outra pergunta interessante é porque países desenvolvidos também sofreram com isso.No Brasil todos se lembram do Boom dos cursos de direito e engenharia cerca de uma década atrás, e hoje todos veem as manchetes nos jornais dos profissionais dessas áreas trabalhando como Uber e sofrendo com salários ridiculamente baixos para o nível de estudo exigido por essas carreiras. A explicação é bem óbvia e não passa por aumento de pisos salariais como alguns pensam, a resposta é que existe hoje um excesso de oferta para a demanda. Mas e a Europa e os Estados Unidos? Porque sofrem com isso?

Os motivos são diferentes, a globalização e a inovação tecnológica são os principais responsáveis, o aprofundamento do processo de globalização internacionalizou toda a cadeia de produção das grandes indústrias e também facilitou a contratação de funcionários do mundo todo, ampliando os fluxos imigratórios nos principais países do mundo, já a inovação tecnológica eliminou vários postos de trabalho e vai eliminar vários outros com o avanço da robótica e da inteligência artificial (algo que já iria acontecer e foi acelerado pela pandemia do COVID-19)

Após essa breve explicação da situação dos mercados educacionais no mundo hoje podemos passar para o tópico principal do artigo, como isso teria impactado na situação política desses países? O mercado educacional vive da venda de uma promessa muito específica e desejável pela ampla maioria da população dos países em análise, a promessa de que uma vez que você tenha um diploma universitário você se torna parte da elite do país em que vive. E isso funcionou durante boa parte do tempo desde o século XIX, mas no momento essa venda de promessa pode ser a grande responsável pela instabilidade política e social do nosso tempo. Com as empresas não conseguindo absorver tamanha mão de obra, o prestígio do diploma caiu, e não apenas isso, é demandado dos funcionários muito mais do que era até pouco tempo atrás, domínio de várias línguas, vários MBAs, pós graduações, mestrados profissionais etc… Mas a grande parte desses funcionários não tem carreira longa o suficiente na empresa para chegar a um carco de CCO ou CEO. Sendo demitidos ou mudando de empresa por razões que vão desde boicote, remuneração ou outras ambições profissionais, e aí mora o segundo problema que devemos nos atentar, o fenômeno do Overeducation ( quando se é tão qualificado que você se torna impossível de pagar), porém sem o Overeducation a entrada no mercado se torna difícil, pois as empresas agora não investem no desenvolvimento dos seus empregados, preferindo a facilidade de recrutar em um mercado global de talentos um funcionário já pronto para realizar a função.

O objetivo aqui não é avaliar se esse sistema é positivo ou negativo, mas demonstrar a consequência política e social desse sistema. Quando se é prometido algo, o indivíduo realiza o esforço necessário para alcançar isso, mas o que lhe foi prometido (dinheiro e status) não lhe é entregue, o caminho natural para isso é o ressentimento, e se tem uma coisa que a política contemporânea nos ensina é que o ressentimento é uma arma extremamente poderosa e que facilita a radicalização. Desde a Roma antiga e a China imperial passando pela idade média, as revoluções liberais, as grandes guerras e a guerra fria as sociedades passam por momentos de estabilidade e instabilidade política, e isso tem muito a ver com a elite de cada uma dessas sociedades (seja ela financeira, comercial, cultural, política ou intelectual).

Tomemos como exemplo os Estados Unidos, qualquer observador da política americana percebe que o congresso entrou em Deadlock.

Isso ocorre quando o status-quo legislativo fica entre a intenção do governo e o legislador mediano, como os dois atores (executivo e legislativo) gostariam de mudá-lo em direções opostas, então não haverá acordo, mas uma paralisia legislativa, Todas as questões relacionadas posicionadas no intervalo entre os dois atores ficarão na paralisia, e todas as questões para as quais não se encontra um acordo estão nessa posição. Esse intervalo é o Deadlock.” (GIANTURCO, 2018, p 345)

Republicanos e Democratas não mais operam na lógica do Compromise vista durante o século XX, portanto a possibilidade de legislações que realmente melhorem a vida dos americanos é pequena, as elites políticas americanas estão em conflito, e por consequência o próprio povo americano também está, reproduzindo na sociedade o mesmo conflito político visto em Washington. Estaria esse conflito relacionado com o atual modelo de mercado educacional e sua formação de elites? Quem conta como elite e como a competição entre elas ocorre também é importante, um grande número de jovens qualificados maior do que o número de postos de trabalho a altura dessa qualificação, seja no governo ou na iniciativa privada leva a problemas políticos e sociais muito mais complexos do que aquilo que é medido em taxas de desemprego pelos economistas, especialmente quando os casos de sucesso são pequenos comparados aos casos de fracasso.

Como dito anteriormente, o ressentimento é particularmente forte entre aqueles que foram induzidos a acreditar que eles fariam parte da elite, pessoas articuladas, altamente qualificadas se rebelam, produzindo um atropelo nos sistemas econômicos e políticos, os diferentes tipos de elites param de cooperar e a antiga ordem social acaba por ruir. Se aplicarmos esse mesmo método de análise centrado nas elites ao longo da história podemos notar em ocasiões como a Revolução Francesa que a teoria se sustenta, como exposto pelo historiador Hugh Trevor-Roper “Crises sociais não são causadas pela oposição clara de interesses mutuamente exclusivos mas pelo cabo de guerra de interesses opostos internos “ (TREVOR-ROPER, 1959, p 31-64). A Revolução francesa então não foi primariamente produto de miséria na sociedade, mas uma batalha entre a subempregada classe educada ( burguesia ) e donos de terra beneficidados pela hereditariedade do antigo regime ( nobreza )

Essa superprodução de elites, também explica o porque jovens estão postergando o início da vida adulta, postergando o casamento, a aquisição de uma casa própria e a paternidade/maternidade. Se tornou excepcionalmente difícil para um jovem atingir o status de elite, ainda que trabalhe duro e vá para uma universidade de grande prestígio. Os preços das casas são tão altos que apenas herdeiros têm a possibilidade de emular a qualidade de vida dos seus pais. De acordo com o antropólogo Peter Turchin, “Apenas os Estados Unidos produzem todo ano um excedente de advogados de 25.000, cerca de 30% dos Britânicos possuem qualificações muito acima do trabalho disponível ” (TURCHIN. 2010, p 608 )

Todo esse quebra cabeças ajuda a explicar o motivo para que pessoas que, ao menos teoricamente deveriam ser as menos sugestionáveis e suscetivas a manipulação, são as mais atraídas pelo radicalismo que dá o tom da política ocidental atual.

Referências bibliográficas

GIANTURCO, Adriano, A Ciência da Política, Rio de Janeiro, 2018

TREVOR-HOPER, Hugh, The General Crisis of the Seventeenth Century”, Past and Present, N 16, 1959, Pp. 31–64.

TURCHIN, Peter, Political instability may be a contributor in the coming decade. Nature , 463, 2010, Pp 608.

MARCADO:ElitesMercado educacionalPolarização
Compartilhe este artigo
Facebook Twitter E-mail Copiar link Imprimir
Por Rodrigo Bueno
Rodrigo Bueno é bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Brasileiro de Mercados e Capitais (IBMEC). Pós graduado em Inteligência e Contra Inteligência pela Associação Brasileira de Estudos de Inteligência e Contra Inteligência (ABEIC/CSABE). Mestrando em Política Internacional ( PUC Minas ).  Seu foco principal de estudos é a área da Política Internacional, Filosofia Política e Ciência Política. Colaborador ocasional do Instituto Mises Brasil. Publicou artigos pela Editora Dialética sobre o pensamento de Raymond Aron, Samuel Huntington e a História do Conservadorismo. Sócio-Fundador e Membro do corpo editorial do Grupo Hermenêutica Política desde 2020. Lattes: http://lattes.cnpq.br/3687844525565262
Artigo anterior Bolsonaro no país das maravilhas
Próximo artigo A POLÊMICA DE MONARK E O DEBATE: COMUNISMO E NAZISMO DEVEM SER CONDENADOS DA MESMA FORMA? POR QUE UM É PROÍBIDO E O OUTRO NÃO?

Em alta

Não acredite no Estado. Mudanças de Lula no IR são uma farsa.

Não acredite no Estado. Mudanças de Lula no IR são uma farsa.

Por Filipe Chácara

Cadastre-se

Inscreva-se gratuitamente em nossa página para receber atualizações, enviar comentários e participar dos nossos fóruns de discussão.
Clique aqui!

O brasileiro ama e deseja ser lisonjeado para não sentir-se decepcionado ou depressivo: Uma triste realidade

2 anos atrás

A psicopatia de líderes Políticos e das Cortes de Justiça

5 anos atrás

You Might Also Like

Ciência Política

Evolução das formas e sistemas de governo

3 anos atrás
Ciência Política

A importância de acertar (e errar) previsões para um analista

2 anos atrás
Ciência Política

A atual situação política e democrática do Brasil

3 anos atrás
Ciência Política

O erro de cálculo e o enfraquecimento do PT

2 anos atrás

Institucional

  • Cadastre-se
  • Quem somos
  • Políticas & Termos
  • Parceiros

Publicações

  • Ciência Política
  • Economia
  • Empreendedorismo
  • Entretenimento
  • Filosofia Jurídica
  • Filosofia Política
  • História Geral
  • Indicações
  • Periódicos
  • Política & Espiritualidade
  • Política Internacional
  • Política Nacional
  • Sociologia
  • Vídeos e entrevistas

Atendimento

  • SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente)
  • Fale Conosco
  • Denuncie
  • Fale com o colunista

© Hermenêutica Política – Todos os direitos reservados

Welcome Back!

Sign in to your account

Nome de usuário ou endereço de e-mail
Senha

Perdeu sua senha?