A Pressão sobre o governo de Donald Trump vem aumentando significativamente nos últimos meses, os sinais erráticos na política externa refletem uma disputa entre as alas Neoconservadoras lideradas pelo ex senador (Flórida) e atual secretário de Estado Marco Rúbio e as alas Isolacionistas lideradas pelo também ex senador (Ohio) e atual vice presidente dos Estados Unidos J.D.Vance. Exemplos não faltam: O Recuo em relação a aplicação da Lei Magnistky no Brasil, a Incerteza com relação a transição de poder na Venezuela, os vários blefes direcionados ao Regime Iraniano, a retórica diante do regime cubano… Tudo isso após a publicação da nova Estratégia de Segurança Nacional em Novembro que deixa claro que o objetivo é uma reedição da Doutrina Monroe, no século XIX utilizada para expulsar os europeus das américas e que agora seria utilizada para enfraquecer a China e a Rússia na região.
Os méritos da NSS são vários, ela reconhece que os Estados Unidos dormiram em berço esplêndido enquanto seus inimigos basicamente transformaram o entorno regional da américa em Estados satélite, e estabelece que serão necessárias sim intervenções para livrar o continente da ameaça externa Chinesa. Entretanto cada vez mais o governo americano parece não ter uma visão unificada na Política Externa para conseguir aplicar a sua nova estratégia de política externa e segurança nacional. Soma-se a essa política externa dúbia problemas internos graves, caos institucional com o Banco Central americano e a tensão com relação a migração atingindo níveis muito altos. Em especial no estado de Minneapolis em que conflitos entre a patrulha das fronteiras e manifestantes locais se intensificam a cada dia, também fruto da pressão isolacionista exercida pelo vice presidente J.D.Vance.
Hoje é possível prever que Trump perderá ao menos a câmara dos deputados nas eleições de meio de mandato, ás últimas pesquisas projetam um dos melhores desempenhos históricos do partido democrata nas eleições de meio de mandato, o que irá enfraquecer seus dois próximos anos de presidência. Trump ainda consegue exercer e projetar poder, terá em breve uma Copa do Mundo para fortalecer a imagem americana no mundo e conta com a caneta mais poderosa entre os Chefes de Estado ocidentais. Mas é necessário reconhecer que no momento o governo americano está em crise, algumas geradas pela falta de unificação do partido republicano, outras por erros de comunicação e outras pelo oportunismo da mídia associada aos democratas.
A essa altura o leitor deve estar se perguntando porque a referência a Vlad Tepes e o Conde Drácula no título, agora tudo ficará claro, os paralelos serão óbvios… Para quem nunca teve a oportunidade de ler a obra de Bram Stoker reforço o convite, se trata de um grande clássico da literatura inglesa e que diferentemente de outros clássicos é uma leitura que não é maçante e sim agradável. Mas infelizmente será necessário que alguns detalhes da história sejam fornecidos ao longo do texto para que tudo faça sentido.
O Conde Drácula que aparece na Londres vitoriana no século XIX nos eventos do livro outrora foi um grande nobre da chamada Transilvânia, uma região da Romênia. O Príncipe Vlad Tepes conhecido como Vlad, o impalador pela maneira com que derrotava seus inimigos era um líder querido pelos seus súditos, firme porém justo, e que os defendeu em inúmeras ocasiões frente os avanços dos reis e nobres inimigos que desejavam conquistar a Transilvânia. Durante uma ronda de vigilância, Vlad e seus soldados encontram um capacete otomano na Floresta, um prenúncio de uma invasão do temido império turco-otomano. O império turco-otomano era liderado por Mehmet II, um conquistador frio, desalmado, cruel e assassino cujo maior objetivo era espalhar seus domínios por todo o mundo.
O Príncipe Vlad sabia que esse inimigo era diferente de todos os outros que ele já havia enfrentado, ele sabia que precisava de um conhecimento obscuro, proibido e maligno para derrotar esse inimigo. Então Vlad faz um pacto com o demônio, em troca do poder necessário para repelir os invasores e salvar o seu povo da opressão de Mehmet. Vlad se torna então Drácula, o vampiro, o filho do demônio. E parte para a guerra contra o império invasor, ele vence a guerra… Mas não sem um custo pessoal tremendo, sua amada esposa Milena é morta durante a batalha. Vivendo com o luto da perda do seu maior amor e agora considerado um monstro pelo seu próprio povo… o nosso protagonista agora amaldiçoado com a vida eterna e a constante sede de sangue passa a se refugiar em seu castelo na Transilvânia aguardando por uma chance de redenção ou libertação, o que ocorre nos eventos do livro de Bram Stoker com detalhes.
Trazendo para nosso cenário geopolítico atual, Trump é o príncipe Vlad, embora seja uma figura certamente menos heroica do que o nobre europeu, Xi-Jing Ping é Mehmet II e o acordo necessário para vencer a disputa é que os Estados Unidos se tornem um monstro mais poderoso que o seu inimigo.
Especialistas na área militar afirmam que não adianta aplicar a mesma estratégia contra um inimigo diferente, Reagan venceu a URSS de uma maneira virtuosa e limpa, e seria ótimo que isso pudesse ser replicado… mas isso não será possível contra a China que é uma ameaça muito maior, mais bem equipada, uma potência tecnológica, econômica e que ensaia se tornar uma potência também bélica. Se os Estados Unidos desejam vencer a China para demonstrar quem manda no mundo no século XXI eles precisam de um nível de unidade nacional e clareza em matéria de política externa que cada vez parece mais inviável de ser conseguido em uma democracia plena.
Esse é o dilema que se apresenta aos Estados Unidos nesse momento, se tornar um monstro para derrubar outro, ou manter seus valores e ser derrotado no longo prazo. A escolha pode parecer óbvia, mas apenas para aqueles que não tomam as decisões. Se os Estados Unidos passarem a se comportar como um império jogando tão sujo quanto os seus inimigos jogam, e vencerem a guerra então tudo terá valido a pena, foram escolhas difíceis porém determinadas pela conjuntura e pela negação em aceitar ser derrotado… Porém se a história do Conde Drácula nos mostra alguma coisa é que mesmo na vitória podem existir algumas derrotas e cicatrizes da guerra que levarão muito tempo para serem curadas.
Referências Bibliográficas
STOKER, Bram. Drácula. São Paulo. Madras. 2009
