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Leitura: A Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos e o combate ao crime organizado no Brasil: por que isso importa?
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Início » Colunas » A Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos e o combate ao crime organizado no Brasil: por que isso importa?
Política Nacional

A Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos e o combate ao crime organizado no Brasil: por que isso importa?

Lucas Gualtieri
Última atualização: dezembro 19, 2025 12:55 pm
Lucas Gualtieri 10 minutos de leitura
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A recente publicação da National Security Strategy dos Estados Unidos para 2025 (NSS 2025) passou quase despercebida no debate público brasileiro. Esse silêncio é revelador, mas também preocupante. Ainda que se trate de um documento de política externa norte-americana, a NSS 2025 projeta efeitos diretos sobre países do Hemisfério Ocidental, especialmente sobre o Brasil, que hoje ocupa posição central nas rotas globais do crime organizado transnacional. Ignorar essa estratégia não é um gesto de autonomia ou soberania; é, antes, uma escolha que pode reduzir significativamente a capacidade do país de controlar seu próprio destino estratégico (UNITED STATES, 2025).

Para compreender a relevância da NSS 2025, é necessário abandonar uma visão tradicional de segurança restrita a conflitos militares entre Estados. Desde os anos 1990, Barry Buzan e seus outros autores vêm demonstrando que a segurança internacional contemporânea envolve múltiplos setores — político, militar, econômico, social e ambiental — e que ameaças relevantes podem emergir de processos aparentemente não militares, como fluxos econômicos ilícitos, redes criminosas transnacionais e a captura de cadeias produtivas formais (BUZAN, 1991; BUZAN; WÆVER; DE WILDE, 1998).

Nesse marco teórico, a segurança não é definida apenas por ameaças “objetivas”, mas por processos de securitização, isto é, pela transformação de determinados fenômenos em problemas existenciais que justificam a adoção de medidas extraordinárias, fora da política ordinária (BUZAN; WÆVER; DE WILDE, 1998). Quando Estados passam a tratar o crime organizado, o tráfico de drogas, a lavagem de dinheiro ou a mineração ilegal como ameaças estratégicas, esses temas deixam de ser apenas questões de política pública doméstica e passam a integrar o núcleo duro da segurança nacional e internacional.

É exatamente esse movimento que se observa na NSS 2025. O documento redefine o Hemisfério Ocidental como prioridade estratégica e enquadra o crime organizado transnacional, as economias ilícitas, a migração irregular e a infiltração de potências autoritárias extra-hemisféricas como ameaças interligadas, capazes de comprometer a estabilidade regional e a própria segurança dos Estados Unidos (UNITED STATES, 2025). Trata-se de um claro processo de securitização, no sentido conceitual proposto por Buzan, no qual fluxos ilícitos passam a ser tratados como riscos existenciais.

Essa leitura dialoga diretamente com outro conceito central desenvolvido por Buzan e Wæver: o de complexos regionais de segurança. Segundo essa abordagem, as ameaças à segurança tendem a se concentrar e a se reproduzir em regiões específicas, em função da proximidade geográfica, da interdependência e da circulação de riscos transnacionais (BUZAN; WÆVER, 2003). A América do Sul sempre foi descrita como uma região relativamente estável do ponto de vista de conflitos interestatais, mas estruturalmente vulnerável a ameaças transnacionais e à penetração de atores externos, especialmente quando Estados nacionais apresentam dificuldades de controle territorial e econômico (BUZAN; WÆVER, 2003).

O que a NSS 2025 sinaliza é que, na avaliação norte-americana, essas vulnerabilidades atingiram um patamar que justifica maior atenção estratégica. O crime organizado deixa de ser visto apenas como um problema doméstico dos países da região e passa a ser tratado como vetor de instabilidade hemisférica, com efeitos diretos sobre cadeias econômicas, segurança marítima, fluxos migratórios e estabilidade política (UNITED STATES, 2025).

Nesse contexto, o Brasil ocupa posição singular. Estudos empíricos recentes conduzidos no país demonstram que o território brasileiro passou a funcionar como um hub logístico, financeiro e operacional das economias ilícitas globais, conectando rotas de drogas oriundas da região andina, cadeias de mineração ilegal na Amazônia, contrabando de mercadorias e esquemas sofisticados de lavagem de dinheiro com alcance intercontinental (FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA, 2024). Esses dados indicam que o Brasil não atua apenas como mercado consumidor ou território de passagem, mas como elo estrutural das cadeias transnacionais do crime organizado.

À luz da teoria de Buzan, essa constatação é particularmente grave. Quando um Estado perde a capacidade de controlar fluxos estratégicos que atravessam seu território, sua soberania material — isto é, a capacidade efetiva de decidir e impor regras — começa a ser corroída, ainda que a soberania formal permaneça intacta (BUZAN, 1991). É justamente por isso que a NSS 2025 se torna relevante para o Brasil: ela indica que essa perda de controle não é politicamente neutra e tende a gerar reações externas, inclusive sob a forma de pressões econômicas, exigências de cooperação e, em última instância, securitização externa.

Diante desse cenário, três caminhos estratégicos principais se colocam para o Brasil, a depender da postura adotada pelo governo brasileiro.

No primeiro cenário, o Brasil opta por uma cooperação estratégica ampla. Essa escolha parte do reconhecimento de que o crime organizado transnacional constitui uma ameaça direta à soberania nacional e de que seu enfrentamento exige coordenação internacional, compartilhamento de inteligência e fortalecimento de mecanismos de rastreabilidade econômica, especialmente em setores sensíveis como mineração, combustíveis, logística e comércio exterior (FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA, 2024). Nesse contexto, o Brasil cooperaria com os Estados Unidos e outros parceiros sem abdicar de sua autonomia decisória, buscando inclusive exercer liderança regional no combate às economias ilícitas. Trata-se de um modelo de cooperação soberana, compatível com a preservação da capacidade de agenda do país.

No segundo cenário, o Brasil adota uma postura de cooperação parcial e ambígua. O país mantém algum nível de colaboração em áreas tradicionais, como repressão ao tráfico de drogas, mas resiste a avanços mais profundos em transparência econômica, controle de cadeias produtivas e revisão de alianças estratégicas com regimes autoritários. Essa postura tende a gerar desconfiança e custos indiretos, como pressões econômicas, exigências crescentes de compliance e redução da credibilidade internacional. Do ponto de vista da teoria dos complexos regionais de segurança, trata-se de uma estratégia defensiva e instável, que reduz a margem de manobra do país e o expõe a decisões tomadas por outros atores (BUZAN; WÆVER, 2003).

No terceiro cenário, o Brasil opta pela não cooperação, acompanhada de um alinhamento político e discursivo com o chamado “eixo do mal”. Nessa hipótese, o governo brasileiro rejeita a NSS 2025 como ingerência imperialista, esvazia mecanismos de cooperação estratégica com os Estados Unidos e se aproxima de regimes autoritários que toleram ou instrumentalizam economias ilícitas. Embora frequentemente apresentada como afirmação soberana, essa postura tende, paradoxalmente, a fragilizar a soberania brasileira. O isolamento em relação aos principais mecanismos globais de controle de fluxos ilícitos aumenta o risco de sanções, restrições comerciais e, sobretudo, de securitização externa do Brasil, isto é, de sua transformação em objeto de preocupação de segurança por outras potências (BUZAN; WÆVER; DE WILDE, 1998).

A crítica à atual postura do governo brasileiro, marcada por retórica antiocidental e aproximação com regimes autoritários, não implica a defesa de submissão aos Estados Unidos. Pelo contrário, parte de um pressuposto elementar da teoria de Buzan: não há soberania efetiva sem capacidade de controle sobre os principais fluxos que atravessam o território nacional (BUZAN, 1991). Quando o crime organizado captura cadeias produtivas, territórios e instituições, a soberania transforma-se em abstração retórica.

A NSS 2025 é relevante porque explicita uma realidade incômoda, mas inescapável. O combate ao crime organizado tornou-se uma questão central da segurança internacional e da geopolítica contemporânea. O desafio do Brasil é cooperar sem se submeter, preservar autonomia sem se isolar e enfrentar o crime organizado como aquilo que ele efetivamente é: uma ameaça estrutural à democracia, à economia e à soberania nacional. Ignorar essa realidade não fortalece o país; apenas transfere poder, de forma silenciosa, para redes criminosas e para decisões tomadas fora de seu controle.

Referências

BUZAN, Barry. People, States and Fear: An Agenda for International Security Studies in the Post-Cold War Era. 2. ed. Boulder: Lynne Rienner, 1991.

BUZAN, Barry; WÆVER, Ole. Regions and Powers: The Structure of International Security. Cambridge: Cambridge University Press, 2003.

BUZAN, Barry; WÆVER, Ole; DE WILDE, Jaap. Security: A New Framework for Analysis. Boulder: Lynne Rienner, 1998.

FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Follow the Products: Rastreamento de Produtos e Enfrentamento ao Crime Organizado no Brasil. São Paulo: FBSP, 2024.

UNITED STATES. National Security Strategy of the United States of America – 2025. Washington, D.C.: The White House, 2025

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Por Lucas Gualtieri
Procurador da República desde 2013, com atuação no combate à criminalidade organizada, especialmente como coordenador do GAECO-MPF em Minas Gerais (2020–2024), conduzindo investigações estratégicas de alta complexidade. Foi membro auxiliar da Assessoria Jurídica Criminal da Procuradoria-Geral da República junto ao STJ (2020–2025). Atua como orientador pedagógico e professor da Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU). É autor de publicações nas áreas de direito penal, controle externo da atividade policial, proteção do patrimônio público e políticas de segurança. Atualmente, é mestrando em Relações Internacionais pela PUC Minas, com ênfase em Estratégia, Inteligência e Contraterrorismo.
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