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Início » Colunas » O falso conservadorismo: Quando o jargão religioso mascara o Autoritarismo Político
Filosofia Política

O falso conservadorismo: Quando o jargão religioso mascara o Autoritarismo Político

Wagner Constâncio
Última atualização: março 23, 2026 1:02 pm
Wagner Constâncio 15 minutos de leitura
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Nos debates públicos contemporâneos e nas crescentes projeções para o cenário eleitoral de 2026, observa-se no Brasil um fenômeno profundamente preocupante e intelectualmente desonesto: a apropriação indébita do rótulo “conservador” por grupos cujo comportamento e ideologia são, na sua essência mais íntima, revolucionários e reacionários. Esses movimentos, frequentemente escondidos sob uma casca superficial de jargões religiosos e uma defesa meramente retórica da família, promovem o surgimento de um discurso extremista que chega ao absurdo de flertar com horrores históricos, como a Inquisição e a perseguição sistemática a judeus e outras minorias. Tal postura revela não apenas uma lacuna educacional, mas uma profunda e perigosa incompreensão do que constitui, de fato, o pensamento conservador clássico e sua linhagem de prudência e civilidade.

Contents
O abismo entre conservar e reagir: A lição de Edmund BurkeO Estelionato da Tradição: Russell Kirk, Michael Oakeshott e a Falácia da “Política da Fé” frente ao Reacionarismo MessiânicoBibliografia consultada

Para aqueles que se dedicam à hermenêutica política e ao estudo rigoroso das instituições do Direito, torna-se uma tarefa urgente e inadiável separar o joio do trigo nesse emaranhado de conceitos distorcidos. É preciso reafirmar com clareza que o verdadeiro conservadorismo não é um passe livre para o exercício da barbárie, nem pode servir como um escudo moral para o preconceito ou para a exclusão social. Pelo contrário, a tradição conservadora, herdada de pensadores como Edmund Burke, fundamenta-se na filosofia da prudência (phronesis), na preservação das instituições que garantem a ordem e no respeito incondicional à dignidade humana. O conservador autêntico é aquele que busca reformar para preservar, valorizando o acúmulo de sabedoria das gerações passadas e rejeitando qualquer forma de radicalismo que pregue o ódio ou a ruptura violenta do tecido social.

Dessa forma, a radicalização que testemunhamos no horizonte de 2026 representa o oposto exato da moderação conservadora, aproximando-se muito mais do fervor revolucionário que busca destruir o presente em nome de um passado idealizado e, muitas vezes, fictício. Ao defender o arbítrio e a intolerância, esses grupos reacionários agridem os pilares do Direito Natural e do Estado Democrático de Direito, transformando o debate político em um campo de batalha ideológico onde a temperança é substituída pelo fanatismo. Separar esses conceitos é essencial para proteger a integridade das instituições brasileiras e para garantir que o pensamento conservador real — pautado pela liberdade ordenada e pelo império da lei — não seja confundido com movimentos que, sob o pretexto de salvar a civilização, acabam por acelerar o seu colapso moral e institucional.

O abismo entre conservar e reagir: A lição de Edmund Burke

Para entender a profundidade da distorção atual, precisamos necessariamente retornar ao pensamento do pai do conservadorismo moderno, Edmund Burke. Em suas reflexões fundamentais, Burke deixou claro que a virtude política suprema e indispensável é a prudência, agindo como o freio necessário contra os excessos do entusiasmo ideológico. O verdadeiro conservador entende a sociedade não como uma massa de manobra para experimentos sociais, mas como um pacto intergeracional sagrado entre os que já morreram, os que vivem e os que ainda estão por nascer. Por essa razão, sua atuação busca reformar para preservar, valorizando a mudança gradual que respeita o acúmulo de sabedoria das instituições. O que assistimos hoje, contudo, assemelha-se perigosamente ao que Burke mais combatia em sua época: o espírito jacobino, com a diferença de que o jacobinismo atual veste roupas supostamente tradicionais para esconder sua natureza disruptiva.

Essa metamorfose ideológica manifesta-se de forma nítida no uso da religião como arma política de arremesso. Enquanto Burke via a fé como um freio moral essencial para as paixões humanas e uma barreira contra o poder absoluto do Estado, o pseudo-conservador moderno transforma a religião em um instrumento de exclusão tribal e de segregação social. Essa postura descamba invariavelmente para a negação do “Outro”, onde defender a Inquisição ou a perseguição étnica — seja contra judeus ou qualquer grupo minoritário — representa uma violação direta do princípio teológico e humanista fundamental do Imago Dei, que reconhece cada ser humano como imagem de Deus. Ao flertar com o antissemitismo ou com a barbárie histórica, esses grupos renegam a própria base da civilização ocidental que afirmam estar protegendo.

Finalmente, a distorção se completa na visão do Estado como um Inquisidor moderno. O conservador autêntico guarda uma desconfiança saudável e institucional do poder estatal, pregando a limitação das competências do governo em favor das liberdades individuais e das comunidades locais. O reacionário disfarçado, no entanto, anseia por um Estado forte, centralizado e violento que imponha a sua visão de mundo de forma implacável sobre os dissidentes. Essa sede por autoritarismo revela que o movimento em ascensão para 2026 não busca conservar a ordem, mas sim subverter o Direito e a dignidade humana em nome de uma utopia regressiva. Separar esses perfis é, portanto, um imperativo para a hermenêutica política contemporânea, sob o risco de permitirmos que a barbárie seja batizada com o nome de prudência.

O Estelionato da Tradição: Russell Kirk, Michael Oakeshott e a Falácia da “Política da Fé” frente ao Reacionarismo Messiânico

Para entender a profundidade abissal da distorção civilizacional que enfrentamos na contemporaneidade brasileira, precisamos necessariamente retornar ao pensamento do pai do conservadorismo moderno, Edmund Burke, cujas reflexões fundamentais deixam claro que a virtude política suprema e indispensável é a prudência, agindo como o freio necessário contra os excessos do entusiasmo ideológico e da arrogância racionalista que, em surtos de onipotência, pretende reconstruir o mundo do zero sobre as cinzas do que foi herdado.

O verdadeiro conservador entende a sociedade não como uma massa amorfa de manobra para experimentos sociais, caprichos autocráticos ou delírios teocráticos, mas como um pacto intergeracional sagrado e delicado entre os que já morreram, os que vivem e os que ainda estão por nascer, exigindo que qualquer alteração no tecido social seja feita com o cuidado cirúrgico de quem opera um organismo vivo e complexo que não lhe pertence por inteiro. Por essa razão, sua atuação busca sempre reformar para preservar, valorizando a mudança gradual que respeita o acúmulo de sabedoria milenar das instituições e repudia saltos no escuro que ignoram a falibilidade da natureza humana. O que assistimos hoje, contudo, assemelha-se perigosamente ao que Burke mais combatia em sua época: o espírito jacobino, mas com a diferença perversa de que o jacobinismo atual veste roupas supostamente tradicionais e utiliza um vocabulário religioso sequestrado para esconder sua natureza essencialmente disruptiva, autoritária e profundamente revolucionária, que busca aniquilar o presente em nome de um passado mítico, higienizado e inexistente, servindo-se do ódio como principal combustível político.

Essa análise encontra eco na chave hermenêutica fornecida por Michael Oakeshott e Russell Kirk, que serve para desmascarar o estelionato intelectual que se projeta com força para o cenário político de 2026 através de uma retórica de violência travestida de piedade. Oakeshott, em sua crítica magistral, alertava para os perigos da “Política da Fé”, que é a crença perigosa, soberba e fundamentalmente anti-conservadora de que o governo possui o dever messiânico de impor uma suposta perfeição moral ou uma utopia terrena à sociedade através do uso da força bruta estatal e da coerção administrativa. O conservador autêntico, dotado de um realismo antropológico que reconhece a miséria e a grandeza humana, prefere a “Política do Ceticismo”, enxergando o Estado não como um engenheiro social, um guia espiritual ou um inquisidor moral, mas como um mero árbitro que garante as regras do jogo e a convivência pacífica entre diferentes e legítimos modos de vida. Essa visão limita o poder estatal de forma drástica e protege a esfera privada contra as incursões do autoritarismo que se pretende santo, preservando a autonomia sagrada do indivíduo contra o Leviatã hipócrita que tenta sequestrar a consciência alheia em nome de dogmas particulares que nada têm de universais.

Na mesma linha de rigor intelectual, Russell Kirk argumentava que o verdadeiro conservadorismo repudia, por definição, a figura do ideólogo — aquele indivíduo de mente estreita que tenta reduzir a complexidade infinita da existência humana a um sistema rígido, binário e bitolado de dogmas políticos e sociais. Aquele que hoje se autodenomina conservador, mas utiliza a estética da tradição e a linguagem da fé apenas para destilar ressentimento e justificar violências históricas abjetas, possui o que Kirk chamava de uma “alma desordenada”. É uma contradição ontológica insolúvel, uma fraude intelectual e uma traição nojenta aos pilares da civilização ocidental defender horrores passados — seja a tortura institucionalizada da Inquisição, o extermínio industrial promovido pelo nazismo, o arbítrio sanguinário das ditaduras militares ou o fundamentalismo medieval de regimes autoritários islâmicos — sob o manto de uma suposta retidão moral ou defesa de valores familiares. A essência da tradição ocidental e judaico-cristã é a caridade, a justiça e o reconhecimento da dignidade do “Outro” como Imago Dei, e não a reedição de tribunais de exceção, a apologia ao genocídio ou a perseguição sistemática de minorias e opositores políticos. Aqueles que celebram o chicote e a fogueira, enquanto seguram uma escritura na mão, não são conservadores; são reacionários vulgares que odeiam a liberdade alheia em nome de uma falsa pureza que eles próprios jamais praticam na intimidade de suas vidas desregradas.

A alienação produzida por esse fanatismo religioso é tão profunda, insidiosa e maligna que transcende a esfera da política institucional e corrói a subjetividade mais íntima dos relacionamentos humanos e afetivos, onde pessoas se tornam patologicamente incapazes de aceitar o próximo como ele é e como escolheu ser em sua própria busca por felicidade. Essa pretensão de moldar a vida alheia segundo interpretações tacanhas, descontextualizadas e violentas de textos sagrados revela uma soberba espiritual satânica que aniquila a alteridade e ignora o livre-arbítrio, transformando o amor e a convivência em campos de concentração para a imposição de padrões comportamentais desumanos e alienantes. Ao tentar destruir as raízes morais do respeito e da compaixão através de uma intolerância cega, esses religiosos alienados demonstram que sua fé é apenas um verniz barato para o ódio reprimido e para o desejo sádico de controle social absoluto sobre os corpos e as mentes. O que vemos surgir para o próximo ciclo eleitoral não é um resgate de valores eternos, mas a ascensão de uma ideologia reacionária, totalitária e messiânica que mimetiza o conservadorismo para subverter a ordem institucional e o Direito Natural. A tarefa urgente do jurista, do analista e do cidadão consciente é reafirmar que o conservadorismo clássico é a antítese do radicalismo; é a defesa intransigente da “liberdade ordenada” contra o caos da barbárie e contra a tirania escatológica daqueles que se julgam os únicos e infalíveis donos da verdade absoluta, mas que são, na verdade, os maiores inimigos da própria civilização que fingem proteger.

Bibliografia consultada

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br. Acesso em: 22 mar. 2026.

BURKE, Edmund. Reflexões sobre a revolução na França. Tradução de José Marcos Macedo. 1. ed. São Paulo: Edipro, 2014.

BURKE, Edmund. A Política da Prudência: Escritos e Discursos Selecionados. Tradução de Denis Fontes de Souza Pinto. Rio de Janeiro: EDUERJ, 2020. (Nota: Obra essencial para a compreensão da tolerância e do devido processo na tradição burkeana).

KIRK, Russell. A mente conservadora: de Burke a Eliot. Tradução de Gustavo Santos e Hugo Langone. 1. ed. São Paulo: É Realizações, 2020.

KIRK, Russell. A Política da Prudência. Tradução de Alex Catharino. 1. ed. São Paulo: É Realizações, 2014.

OAKESHOTT, Michael. Racionalismo na política e outros ensaios. Tradução de Renato Marques. 1. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2017.

OAKESHOTT, Michael. A Política da Fé e a Política do Ceticismo. Tradução de Bruno Garschagen. Rio de Janeiro: Topbooks, 2018.

MARCADO:conservadorismoDireito ConstitucionalEdmund BurkeFilosofia Política
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Por Wagner Constâncio
Wagner Constâncio é bacharel em Direito pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), com especialização em Direito Público Administrativo e Direito do Consumidor. Atua como Analista Jurídico e também se dedica à produção de conteúdo sobre política nacional, com foco na legislação e na jurisprudência brasileira.
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